sexta-feira, 27 de junho de 2008

Hizunomê Bettero e Patrick Gudauskas perdem na estréia

Depois de dois dias de muita chuva, a quinta-feira amanheceu ensolarada na Pérola do Atlântico e a formação das ondas de 1 metro de altura melhorou bastante para a estréia das principais estrelas do Guarujá Surf Pro na Praia das Pitangueiras. Só que os líderes do ranking WQS não acharam as boas que entraram em suas baterias e não passaram das suas primeiras apresentações. Com a saída precoce do número 1 Hizunomê Bettero e do vice-líder Patrick Gudauskas, dois surfistas podem assumir a dianteira na corrida pelas 15 vagas para o WCT no litoral paulista, o sul-africano David Weare e o carioca Raoni Monteiro. No entanto, a condição mínima para atingirem tal feito é chegar na final do Guarujá Surf Pro.

“Eu não consegui surfar. As ondas boas não vieram para mim, só peguei umas mais ou menos e tentei arriscar os aéreos para conseguir nota, mas não acertei nenhum, enfim campeonato é isso mesmo, tem dia que não vem onda e não dá para fazer nada”, lamentou Hizunomê Bettero, após a derrota para o cearense Michel Roque e o catarinense Marco Polo. “Tudo bem, tem vários campeonatos ainda e tenho que continuar focado, não posso me abater. Só preciso trocar as pranchas que já estão velhas, deram o que tinha que dar, e se Deus quiser vai dar tudo certo até o final do ano para eu conseguir essa vaga no WCT”.

Na disputa seguinte, o norte-americano Patrick Gudauskas também fracassou como seus irmãos Dane e Tanner, ao ser barrado pelo paulista Junior Faria e o paraibano Jano Belo, líder do ranking brasileiro. Com isso, os outros dois únicos surfistas com chances matemáticas de alcançar a ponta no Guarujá Surf Pro ganharam motivação para atingir esse objetivo. O carioca Raoni Monteiro passou em segundo lugar atrás do cearense Dunga Neto, enquanto o sul-africano David Weare, que não disputou a etapa passada do Brasil na Bahia, estreou com vitória na Praia das Pitangueiras.

“Escolhi só competir nesse evento aqui e não fui para a Bahia porque precisava ficar um tempinho em casa, pois agora não paro mais até o final do ano”, contou David Weare, sexto colocado no ranking WQS. “Tem muitos campeonatos rolando direto e eu resolvi tirar uma folga. Essa é a primeira vez que venho ao Guarujá, não conhecia, mas achei que tem boas ondas. Até ontem tinha muita chuva e hoje o mar deu uma melhorada, não está tão mexido e eu consegui pegar algumas ondas abrindo para vencer a bateria”.

Vice-campeão no último domingo na Praia do Forte, o carioca Marcelo Trekinho acabou eliminado nessa disputa vencida pelo sul-africano que classificou o baiano Bernardo Lopes em segundo lugar. Quatro baterias depois, foi a vez de Raoni Monteiro estrear no Guarujá Surf Pro e ficou feliz com sua classificação, mesmo sendo em segundo no confronto que terminou com vitória do cearense Dunga Neto.

“Estou sabendo das minhas possibilidades, estou bem no ranking com dois resultados para somar ainda e estou amarradão por ter passado essa bateria. Quero passar muitas mais ainda para sentir aquele gostinho da vitória de novo como foi lá em Fernando de Noronha”, disse Raoni Monteiro, que elogiou a volta do Guarujá ao Circuito Mundial. “Já competi várias vezes aqui como profissional e como amador, cheguei até ser campeão do circuito paulista em 1994, mas fazia muito tempo que não vinha aqui. É um lugar que tem altas ondas, dá para fazer muitas manobras e pretendo passar muitas baterias ainda”.

O INÍCIO DE NECO - Depois de 12 anos sem sediar nenhuma etapa do Circuito Mundial, muitos surfistas relembraram grandes momentos vividos na Praia das Pitangueiras, como uma das estrelas do WCT que está participando do Guarujá Surf Pro¸ o catarinense Neco Padaratz. Ele estreou com vitória na primeira bateria da rodada de apresentação dos cabeças-de-chave. “Estou feliz demais por voltar aqui. O Guarujá foi um cenário de criança para mim, praticamente comecei minha carreira aqui em 1987”, recorda.

“Essa foi minha primeira viagem para fora de Santa Catarina, eu era muito pequeno na época, mas já existia um apoio muito legal dos profissionais daquele tempo. O David Husadel sempre me deu uma força muito grande, o Jojó (de Olivença) também e muitos outros. Lembro que o Fernando Correa ganhou aquele evento realizado em ondas épicas aqui nas Pitangueiras e para mim foi o começo de tudo. Depois de tantos anos, poder voltar aqui é muito gratificante”, falou Neco Padaratz.

PRIMEIRA VITÓRIA DO BRASIL – Mas, ninguém tem melhor recordação do Guarujá do que o paraibano Fábio Gouveia, que em 1990 se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da ASP (Association of Surfing Professionals) nas mesmas ondas da Praia das Pitangueiras. Só que, diferente de Neco Padaratz, Fabinho foi barrado logo na estréia pelo norte-americano Nathaniel Curran e o paulista Flávio Nakagima.

“Pena que não achei as ondas, mas esse lugar me traz ótimas recordações. Até o apartamento que sempre fiquei aqui, quando eu entrei lá já senti um cheiro diferente que puxa a memória, sei lá, a maresia, não sei, só lembrança boa cara. Você rema ali no canal já lembra daquelas direitinhas que tinham durante aquele evento e lembrança é sempre bom, dá para curtir sempre e estou realmente muito feliz por estar voltando a competir aqui”, falou o maior ídolo da história do surfe brasileiro.

CAMPEÃO DO TAHITI - Além das estréias de Neco e Fabinho, o bom público que compareceu no primeiro dia sem chuva no litoral paulista também queria ver a primeira apresentação do campeão do WCT do Tahiti nos temidos tubos de Teahupoo. E o niteroiense Bruno Santos não decepcionou a torcida, começando com vitória sobre Tomas Hermes, com ambos despachando os americanos Dane Gudauskas e Chad Compton.

“Estou amarradão. Está dando altas ondas e tomara que continue assim até o final. Seria bom que todo campeonato tivesse onda como as de hoje aqui. Demorei um pouquinho para pegar minha primeira, mas depois engrenou, fui fazendo uma onda melhor do que a outra e tomara que eu continue embalado nas próximas baterias”, disse Bruninho, que nunca havia surfado na Praia das Pitangueiras. “Acho alucinante ter campeonato de novo aqui no Guarujá, tem vários picos diferentes como o Tombo que também é alucinante e eu nunca tinha surfado aqui. A primeira vez foi agora na bateria e a onda é alucinante”.

GUARUJÁ SURF PRO – Quarta fase – 96 atletas – baterias que vão abrir a sexta-feira:
17: Nathan Hedge (AUS), Gilmar Silva (SP), Alandreson Martins (BA), Adilton Mariano (CE)
18: Jihad Kohdr (PR), Leandro Bastos (RJ), Robson Santos (SP), Peterson Rosa (PR)
19: Bernardo Pigmeu (PE), Antonio Bortoletto (AFR), Igor Moraes (RJ), Tony Adams (EUA)
20: Shaun Gossmann (AUS), Heitor Pereira (SP), Wilson Nora (BA), Alex Ribeiro (SP)
21: Pablo Paulino (CE), Danilo Costa (RN), Daison Pereira (RS), Flávio Costa (BA)
22: Kirk Flintoff (AUS), Diego Rosa (SC), Matt King (EUA), Shaun Burrell (EUA)
23: Yuri Sodré (RJ), Odirlei Coutinho (SP), Márcio Farney (CE), Tânio Barreto (AL)
24: Rodrigo Dornelles (RS), Marcelo Nunes (RN), Davi do Carmo (SP), Kevin Sullivan (HAV)



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